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Por Paulo Maltz e André Lajst

Na última terça-feira, dia 28 de julho, Caetano Veloso e Gilberto Gil fizeram um lindo show em Israel, um dos diversos países incluídos nesta turnê internacional da dupla., Caetano Veloso e Gilberto Gil farão um show em Israel, um dos diversos países incluídos nesta turnê internacional da dupla. Algo corriqueiro, não fosse esta etapa israelense uma demonstração de como artistas precisam muitas vezes vencer fortes pressões de grupos de interesse, apenas para poderem exercer seu ofício de encantar platéias. Neste caso, a pressão veio do altamente organizado e muito bem financiado movimento intitulado Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS).

Como todas as disputas em curso há séculos no Oriente Médio, o conflito entre Israel e os palestinos é extremamente complexo. Está mais do que claro que a melhor solução para ambos os lados será a criação de um estado independente palestino que conviva pacificamente ao lado de Israel. Infelizmente, este não é o intuito do movimento que queria impedir Caetano e Gil de se apresentarem a israelenses de todas as fés.

Extremamente radical, o BDS tem como objetivo o boicote a tudo que é proveniente de Israel. Para o BDS, uma peça de teatro com atores árabes e judeus deve ser igualmente boicotada, apenas por ser uma produção israelense.
O BDS finge ignorar as consecutivas pesquisas de opinião mostrando que a maioria dos israelenses é a favor de um Estado palestino pacífico, e que grande parte é crítica da política de assentamentos do atual governo.

Da mesma forma, os defensores do boicote a Israel omitem cinicamente que, segundo levantamentos recentes, mais da metade dos palestinos almejam um Estado que vá do Rio Jordão ao Mar Mediterrâneo, ou seja, englobando tudo o que é hoje Israel. Também não há, da parte deles, qualquer comentário sobre o terrorismo e o incitamento à violência que há anos permeiam a sociedade palestina. Nem sobre a ditadura imposta há dez anos em Gaza pelos radicais do Hamas.

O BDS é simplesmente um instrumento de promoção do ódio contra Israel. Se o objetivo é que um israelense não possa assistir a um show de um artista brasileiro em Israel, estudar em uma universidade britânica ou vender suas mercadorias a um supermercado na França, fica óbvio que tal movimento não é de critica ao governo do país, mas uma atitude discriminatória contra toda sua população.

Em suas cartas e manifestos destinados a pressionar pelo boicote a Israel, o movimento BDS não se importa em recorrer a mentiras e meias verdades. Infelizmente, pessoas com completo desconhecimento da situação ou predispostos a aceitar qualquer acusação contra o Estado Judeu são alvos fáceis de sua campanha. Felizmente, artistas e intelectuais com maior grau de esclarecimento, como Caetano e Gil, sabem que o caminho para a paz é o diálogo e não a intolerância.
Paulo Maltz é presidente da Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro
André Lajst é Diretor-Executivo do Hillel Rio